A Suíça confirmou os primeiros quatro casos de chikungunya transmitidos localmente por mosquitos, no cantão do Ticino. As autoridades sanitárias identificaram as infeções na região do Piano di Magadino, perto de Bellinzona.

O anúncio surgiu a 4 de novembro de 2026. No entanto, as autoridades garantem que o risco atual para a população é muito baixo. Além disso, as quatro pessoas afetadas apresentam uma evolução clínica favorável.

Quatro casos de chikungunya confirmados no Ticino

As autoridades sanitárias do Ticino confirmaram quatro infeções de chikungunya contraídas em território suíço.

Os casos ocorreram na região do Piano di Magadino. Nenhuma das pessoas afetadas tinha viajado recentemente para países onde o vírus circula.

Por isso, os especialistas consideram que a transmissão aconteceu localmente, através de mosquitos infetados.

Segundo as autoridades, as quatro pessoas encontram-se bem. Contudo, algumas continuam a sentir dores nas articulações.

Os contágios remontam ao final do verão. Além disso, o médico cantonal Giorgio Merlani esclareceu que não surgiram novos casos depois de outubro.

O que é a chikungunya e como se transmite?

A chikungunya é uma doença viral que se transmite através da picada de mosquitos infetados do género Aedes.

Entre estes encontra-se o mosquito-tigre asiático, conhecido cientificamente como Aedes albopictus.

Este mosquito já está presente no Ticino há vários anos. Por isso, as autoridades acompanham regularmente a sua presença e evolução.

A transmissão pode acontecer quando um mosquito pica uma pessoa infetada e, posteriormente, transmite o vírus a outra pessoa através de uma nova picada.

No entanto, a chikungunya não se transmite diretamente entre pessoas através do contacto habitual.

Quais são os principais sintomas?

A doença pode provocar febre, dores intensas nas articulações e dores musculares.

Além disso, algumas pessoas apresentam dores de cabeça e manchas ou erupções na pele.

Na maioria dos casos, os doentes recuperam sem complicações graves. Contudo, as dores articulares podem persistir durante semanas ou mesmo meses.

Por outro lado, algumas pessoas, especialmente idosos e indivíduos com problemas de saúde, podem apresentar maior risco de complicações.

Assim, quem desenvolver sintomas suspeitos deve procurar aconselhamento médico, sobretudo depois de uma viagem a uma região onde o vírus circula.

Autoridades consideram o risco atual muito baixo

Apesar da confirmação dos primeiros casos locais, as autoridades sanitárias não consideram que exista atualmente uma situação alarmante.

O número reduzido de infeções e a diminuição da atividade dos mosquitos durante o outono contribuem para reduzir o risco.

Além disso, as temperaturas mais baixas limitam progressivamente a presença de mosquitos ativos.

Segundo o médico cantonal Giorgio Merlani, os casos remontam ao final do verão e não surgiram novas infeções depois de outubro.

Por isso, as autoridades não recomendam medidas extraordinárias para a população neste momento.

Ainda assim, os serviços de saúde continuam atentos à evolução da situação.

Ticino reforça vigilância do mosquito-tigre

Depois de identificar os casos, as autoridades iniciaram investigações epidemiológicas nas zonas afetadas.

Além disso, o Gabinete do Médico Cantonal colaborou com a SUPSI, os municípios e os serviços federais competentes.

As equipas também realizaram intervenções locais para reduzir a presença de mosquitos.

Desta forma, pretendem limitar o risco de novas transmissões e compreender melhor as circunstâncias das infeções.

O Ticino mantém há vários anos um sistema de vigilância do mosquito-tigre. Por isso, as autoridades consideram importante continuar a acompanhar a situação.

Que cuidados devem ter os residentes e viajantes?

A prevenção passa sobretudo por evitar as picadas dos mosquitos.

Por exemplo, os especialistas recomendam utilizar repelentes adequados, vestir roupa que cubra a pele e instalar redes mosquiteiras quando necessário.

Além disso, convém eliminar pequenas acumulações de água em vasos, baldes e outros recipientes, uma vez que estes locais favorecem a reprodução do mosquito-tigre.

Quem regressar de regiões onde circulam doenças transmitidas por mosquitos deve manter a proteção contra picadas durante os primeiros 14 dias.

Por outro lado, se surgirem sintomas como febre, dores articulares ou erupções cutâneas, deve contactar um médico e informar sobre as viagens recentes.

Assim, os profissionais de saúde poderão avaliar a situação e identificar possíveis infeções.

Primeiros casos locais representam uma novidade para a Suíça

Até agora, a Suíça tinha registado casos de chikungunya sobretudo em pessoas que contraíram a doença durante viagens ao estrangeiro.

No entanto, os quatro casos identificados no Ticino representam as primeiras transmissões locais conhecidas no país.

A situação demonstra que o mosquito-tigre pode transmitir este vírus em território suíço quando encontra condições favoráveis.

Ainda assim, as autoridades sublinham que o risco atual continua muito baixo.

Para os residentes na Suíça, incluindo a comunidade portuguesa, a principal recomendação é manter a atenção às medidas habituais de prevenção, sem alarmismos.