O rio Spöl, situado no Parque Nacional Suíço, na região da Engadina, passou por uma importante operação de descontaminação. Após quase dez anos desde a descoberta da poluição por PCB, as autoridades concluíram provisoriamente a principal fase dos trabalhos de recuperação ambiental.
O Parque Nacional Suíço anunciou a conclusão desta etapa a 3 de novembro de 2026. No entanto, os responsáveis vão continuar a acompanhar a qualidade da água, dos sedimentos e a recuperação dos organismos aquáticos.
Contaminação do rio Spöl remonta a 2016
A origem do problema remonta a 2016, quando trabalhos na barragem de Punt dal Gall provocaram a libertação de substâncias contaminantes para o rio Spöl.
Entre essas substâncias encontravam-se os PCB, compostos químicos persistentes que podem prejudicar os ecossistemas e acumular-se nos organismos vivos.
Por isso, as autoridades desenvolveram um projeto de recuperação ambiental para remover os sedimentos contaminados e reduzir os riscos para a fauna e a flora.
A intervenção decorreu numa zona ambientalmente sensível, integrada no Parque Nacional Suíço, perto de Zernez e da fronteira italiana.
Mais de 90% dos PCB removidos na zona intervencionada
Segundo o Parque Nacional Suíço, os trabalhos permitiram remover mais de 90% dos PCB presentes na área intervencionada.
Ao longo de aproximadamente três quilómetros de rio, as equipas retiraram os sedimentos contaminados e procederam ao seu tratamento.
Além disso, separaram os materiais mais finos, que receberam tratamento térmico a temperaturas próximas dos 1.200 graus.
Por outro lado, as pedras e o cascalho passaram por processos de lavagem antes de regressarem ao leito do rio.
Desta forma, os responsáveis procuraram recuperar as condições naturais do Spöl e limitar os efeitos da contaminação.
Recuperação da fauna e regresso das trutas
A operação também exigiu medidas de proteção da fauna aquática.
Antes do início dos trabalhos, as equipas transferiram cerca de 20 mil trutas para outras zonas, evitando que os peixes permanecessem no troço sujeito à intervenção.
Agora, com a conclusão da principal fase da descontaminação, os responsáveis esperam que as trutas regressem gradualmente à área recuperada através dos movimentos naturais da população.
No entanto, a recuperação ecológica não acontece de forma imediata. Por isso, os especialistas vão continuar a observar a evolução do ecossistema.
Análises vão determinar se são necessários novos trabalhos
Apesar da conclusão desta fase, o processo de recuperação do rio Spöl ainda não terminou definitivamente.
O Parque Nacional Suíço prevê analisar o troço inferior do rio no final de novembro de 2026.
Posteriormente, os resultados laboratoriais, esperados durante o inverno, permitirão avaliar se existem zonas que necessitam de novas intervenções.
Além disso, os responsáveis planeiam voltar a estudar a qualidade da água, dos sedimentos e dos organismos aquáticos dentro de cinco a sete anos.
Assim, as autoridades pretendem acompanhar os efeitos da descontaminação a longo prazo.
Caminho pedestre continua encerrado até 2027
A recuperação ambiental também tem consequências para quem visita o Parque Nacional Suíço.
O caminho pedestre entre a barragem de Punt dal Gall e Punt Periv continuará encerrado, previsivelmente, até ao início do verão de 2027.
Por isso, os caminhantes devem consultar as informações oficiais do parque antes de planear percursos nesta zona.
Esta restrição afeta uma área procurada por visitantes que apreciam a natureza e os percursos pedestres da Engadina.
Um projeto importante para a Engadina e os Grisões
A descontaminação do Spöl representa uma intervenção ambiental de grande dimensão numa das zonas naturais mais protegidas da Suíça.
Além disso, demonstra a complexidade de recuperar um rio depois de uma contaminação por substâncias químicas persistentes.
Embora as equipas tenham concluído a principal fase dos trabalhos, o acompanhamento científico continuará durante vários anos.
Desta forma, o Parque Nacional Suíço pretende garantir que a recuperação do Spöl produza resultados duradouros e contribua para a proteção da biodiversidade da Engadina.