O crescimento dos alojamentos turísticos de curta duração está a aumentar a discussão sobre a falta de casas para residentes e trabalhadores nas regiões mais procuradas da Suíça. Na Engadina, onde encontrar um apartamento acessível se tornou uma verdadeira corrida, surge uma pergunta: que peso têm plataformas como o Airbnb neste problema?

Apartamentos para turistas, mas poucas casas para trabalhadores

A falta de habitação acessível tornou-se uma das principais dificuldades de quem vive e trabalha na Engadina. Muitas pessoas têm emprego estável e rendimentos regulares, mas passam meses à procura de casa.

Ao mesmo tempo, vários apartamentos destinam-se ao turismo ou aparecem apenas para estadias de curta duração. Por isso, trabalhadores e famílias encontram cada vez menos opções no mercado tradicional.

O crescimento de plataformas como o Airbnb voltou agora a colocar o tema no centro do debate suíço. As associações de inquilinos e os representantes do setor hoteleiro pedem regras mais apertadas. Por outro lado, os proprietários consideram que novas limitações podem restringir o direito de utilizarem os seus imóveis.

O arrendamento turístico pode render mais

Numa região turística como a Engadina, o proprietário pode conseguir um rendimento superior ao disponibilizar um apartamento por períodos curtos. Durante as épocas de inverno e verão, a forte procura permite receber sucessivamente diferentes hóspedes.

Contudo, esta escolha pode reduzir o número de casas destinadas a quem permanece na região durante todo o ano.

Para um turista, pagar algumas centenas de francos por vários dias pode fazer parte do orçamento das férias. Para um trabalhador, competir com este mercado torna-se muito difícil.

Ainda assim, nem todos os alojamentos turísticos passariam automaticamente para o mercado tradicional. Além disso, faltam dados completos sobre o número de casas que as plataformas retiram ao arrendamento permanente em cada localidade da Engadina.

Mesmo assim, a pergunta mantém-se: quantos apartamentos poderiam servir de residência a trabalhadores e famílias?

Lucerna, Zurique e Interlaken já criaram limites

O debate também chegou a outras regiões da Suíça. Desde 2025, Lucerna aplica um limite de 90 noites por ano a determinados alojamentos de curta duração que reduziram a oferta residencial. Além disso, os proprietários abrangidos têm de registar os imóveis.

Entretanto, Zurique e Interlaken adotaram medidas semelhantes.

Os defensores destas regras afirmam que os apartamentos normais não devem desaparecer do mercado residencial para funcionarem como alojamentos turísticos durante praticamente todo o ano.

Por outro lado, as associações de proprietários consideram que o número de imóveis envolvidos não justifica mais burocracia e fiscalização.

Quando Lucerna introduziu as medidas, a cidade contava com cerca de 330 anúncios no Airbnb e mais de 48 mil habitações. Assim, os alojamentos representavam menos de 1% do total. Para os proprietários, esta percentagem não explica sozinha a falta de casas.

Regiões turísticas enfrentam uma pressão diferente

Nas regiões de montanha, a situação pode ter um impacto maior. A procura turística é intensa, os terrenos disponíveis são limitados e muitas habitações funcionam como segundas residências ou casas de férias.

No Valais, que apresenta o maior número de alojamentos de curta duração registados na Suíça, o setor hoteleiro pede regras semelhantes para hotéis e apartamentos turísticos.

Entre as exigências encontram-se o registo obrigatório, a segurança contra incêndios, as condições de higiene, o pagamento das taxas turísticas e o cumprimento das obrigações fiscais.

Além disso, os hotéis também enfrentam dificuldades para encontrar alojamento para os seus funcionários. Por isso, os seus representantes defendem condições iguais para todos os operadores turísticos.

A realidade da Engadina

Na Engadina, a falta de casas acessíveis já afeta famílias, trabalhadores e empresas. Algumas pessoas aceitam um emprego na região, mas acabam por desistir porque não encontram onde morar.

Outras pessoas vivem longe do local de trabalho ou gastam uma parte demasiado elevada do salário na renda. Como consequência, as empresas também enfrentam mais dificuldades para contratar e manter funcionários.

O Ecos da Comunidade abordou recentemente esta realidade no artigo sobre a falta de habitação acessível na Engadina.

No entanto, ainda não existem dados municipais suficientes para medir o peso concreto do Airbnb e das restantes plataformas no problema local. Mesmo assim, numa região onde cada apartamento disponível pode fazer diferença, as autoridades devem analisar esta questão.

St. Moritz, Celerina, Samedan, Pontresina e outras localidades vivem do turismo. Essa atividade cria empregos e sustenta muitas empresas. Contudo, esses empregos dependem de trabalhadores que também precisam de um lugar onde viver.

Limitar os alojamentos turísticos resolveria o problema?

Uma limitação aos alojamentos turísticos não resolveria toda a falta de habitação. O preço dos terrenos, as segundas residências, os apartamentos de luxo, a construção insuficiente e a dificuldade em desenvolver novos projetos também pressionam o mercado.

Além disso, alguns proprietários alugam uma divisão ou um apartamento durante pequenos períodos para complementar o rendimento. Esta situação difere da exploração comercial de vários imóveis durante quase todo o ano.

Por isso, os municípios poderiam criar regras ajustadas à realidade local. Essas medidas poderiam incluir um registo obrigatório, a recolha de dados e limites para os operadores profissionais.

Ao mesmo tempo, as regras poderiam distinguir os pequenos proprietários das empresas que exploram vários apartamentos turísticos.

Parlamento quer conhecer os números reais

A Câmara baixa do Parlamento suíço já apoiou uma proposta para recolher dados nacionais sobre os alojamentos de curta duração. Agora, o Conselho dos Estados ainda terá de analisar a medida.

Os defensores da proposta querem perceber onde existe realmente um problema. Dessa forma, os municípios poderão tomar decisões com base em números concretos.

Até lá, o debate continuará a dividir opiniões. Algumas pessoas apontam o Airbnb como uma das causas da falta de casas. Outras consideram que estas plataformas têm uma influência reduzida.

Na Engadina, porém, muitos trabalhadores continuam sem encontrar um apartamento que consigam pagar. Por isso, esta discussão torna-se cada vez mais urgente.

E para si? Os municípios da Engadina deveriam limitar os alojamentos turísticos de curta duração para disponibilizar mais casas a residentes e trabalhadores?