O elevado custo da habitação, das creches e das despesas familiares está a pesar nas decisões de quem pretende ter filhos na Suíça. A taxa de fecundidade caiu para 1,28 filhos por mulher, enquanto muitas famílias enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho com a vida familiar.

Ter filhos na Suíça representa um desafio financeiro

Ter filhos na Suíça é um desejo de muitas famílias. No entanto, os custos associados à habitação, à educação e aos cuidados infantis tornam essa decisão cada vez mais exigente.

Uma análise publicada esta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, pela SWI swissinfo.ch destaca a relação entre o custo de vida e a diminuição da natalidade na Suíça.

Segundo a publicação, as dificuldades económicas influenciam não apenas a decisão de ter o primeiro filho, mas também a possibilidade de aumentar a família.

Além disso, a necessidade de conciliar a atividade profissional com os cuidados às crianças continua a representar um desafio para muitos casais.

Natalidade cai para 1,28 filhos por mulher

Os números mostram uma tendência preocupante para a evolução demográfica suíça.

De acordo com os dados provisórios do Instituto Federal de Estatística, a taxa de fecundidade passou de 1,29 filhos por mulher em 2024 para 1,28 em 2025.

Entretanto, o número de nascimentos tem vindo a diminuir durante quatro anos consecutivos.

Esta evolução coloca a Suíça bastante abaixo dos 2,1 filhos por mulher geralmente considerados necessários para assegurar a substituição das gerações, sem contar com a imigração.

Contudo, os especialistas alertam que a redução da natalidade não resulta exclusivamente de fatores económicos. As mudanças nas prioridades pessoais e familiares também desempenham um papel importante.

Criar um filho pode representar um custo muito elevado

Uma das questões mais importantes para quem pretende constituir família é o dinheiro necessário para criar uma criança.

Segundo a análise da SWI swissinfo.ch, algumas estimativas apontam para custos diretos e indiretos que podem aproximar-se de um milhão de francos ao longo da criação de um filho.

No entanto, este valor não representa uma despesa fixa ou inevitável para todas as famílias.

O montante depende de vários fatores, incluindo o local de residência, o rendimento dos pais, as despesas com a habitação e as opções de acompanhamento das crianças.

Além disso, os custos indiretos podem ser significativos. Quando um dos pais reduz o horário de trabalho para cuidar dos filhos, o rendimento familiar também pode diminuir.

Por isso, o impacto financeiro vai muito além das despesas com alimentação, roupa ou material escolar.

Habitação e creches pesam no orçamento familiar

Encontrar uma casa adequada para uma família pode representar uma dificuldade em várias regiões da Suíça.

Os apartamentos com mais quartos são frequentemente mais caros. Além disso, a oferta de habitação acessível nem sempre acompanha as necessidades dos residentes.

Outro encargo importante está relacionado com as creches.

Embora existam apoios e diferenças entre cantões e municípios, os custos de acolhimento infantil podem representar uma parte considerável do orçamento mensal.

Consequentemente, alguns pais acabam por reduzir a atividade profissional ou reorganizar os horários de trabalho.

Esta situação pode afetar os rendimentos atuais e, em determinados casos, as perspetivas de carreira e de reforma.

Ter um terceiro filho tornou-se menos frequente

A análise da SWI swissinfo.ch destaca uma tendência particularmente interessante.

Na Suíça, a diminuição da natalidade não se explica apenas pelo aumento do número de pessoas que optam por não ter filhos.

Na realidade, uma parte importante da redução está relacionada com a decisão de não avançar para o terceiro filho.

Muitos casais continuam a desejar constituir família. Contudo, os custos associados a uma habitação maior, aos cuidados infantis e à organização profissional podem dificultar esse objetivo.

Assim, algumas famílias acabam por ter menos filhos do que inicialmente desejavam.

Portugueses na Suíça também enfrentam estes desafios

As dificuldades relacionadas com a habitação, as creches e a conciliação entre trabalho e família também podem afetar os portugueses residentes na Suíça.

Muitas famílias emigrantes vivem longe dos avós e de outros familiares que poderiam ajudar no acompanhamento diário das crianças.

Por isso, a organização dos horários profissionais e a procura de soluções de acolhimento podem tornar-se especialmente importantes.

No entanto, não existem nesta análise dados que permitam afirmar que a natalidade da comunidade portuguesa segue exatamente a mesma evolução da população suíça.

O que se pode afirmar é que os custos de vida e os serviços de apoio às famílias são questões relevantes para residentes de diferentes nacionalidades.

Na Engadina, a habitação acrescenta dificuldades

Na Alta e Baixa Engadina, o acesso à habitação a preços comportáveis é uma preocupação para muitos residentes e trabalhadores.

Para uma família que necessita de um apartamento maior, encontrar uma solução adequada pode ser particularmente difícil.

Além disso, os horários profissionais nos setores do turismo, hotelaria e restauração nem sempre são fáceis de conciliar com os horários das creches e dos estabelecimentos de ensino.

Estas dificuldades ajudam a compreender os desafios que algumas famílias enfrentam na região.

Contudo, a análise nacional da SWI não apresenta dados específicos que permitam atribuir a redução da natalidade na Engadina a estes fatores.

Suíça e Estados Unidos enfrentam tendências semelhantes

A análise publicada pela SWI swissinfo.ch estabelece também uma comparação entre a Suíça e os Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a taxa de fecundidade caiu de cerca de 2,1 para 1,6 filhos por mulher em menos de duas décadas.

Apesar das diferenças entre os dois países, ambos enfrentam pressões relacionadas com o custo de vida, a habitação e a conciliação entre carreira e família.

No entanto, existe uma diferença importante.

Enquanto na Suíça a redução dos terceiros filhos tem um peso significativo, nos Estados Unidos destaca-se também o aumento do número de pessoas que não pretendem ter o primeiro filho.

Que consequências poderá ter a redução da natalidade?

Uma natalidade persistentemente baixa pode alterar a estrutura etária da população.

A longo prazo, poderá aumentar a proporção de pessoas idosas relativamente à população em idade ativa.

Além disso, esta evolução pode criar novos desafios para o mercado de trabalho, os sistemas de pensões e a organização dos serviços públicos.

Contudo, os efeitos concretos dependem também de fatores como a imigração, a participação no mercado de trabalho e a evolução económica.

Por isso, os dados devem ser analisados numa perspetiva de longo prazo, sem retirar conclusões precipitadas.

E para si, é demasiado caro ter filhos na Suíça?

A análise da SWI swissinfo.ch levanta uma questão que merece reflexão entre os residentes na Suíça.

O custo da habitação, das creches e das despesas familiares influencia cada vez mais as decisões de muitos casais.

No entanto, cada família vive uma realidade diferente.

O Ecos da Comunidade quer conhecer a opinião dos seus leitores: considera que os custos de vida na Suíça dificultam a decisão de ter filhos? E na sua região, existem apoios suficientes para as famílias?

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