Motorista em Zurique denuncia quebra acentuada dos rendimentos e reacende debate sobre as condições de trabalho nas plataformas digitais
Um motorista da Uber na Suíça afirma ter recebido apenas 70 francos suíços após nove horas de trabalho no cantão de Zurique. O testemunho, divulgado pela SWI swissinfo.ch, levanta novamente questões sobre os baixos rendimentos, a proteção social e as condições de trabalho nas plataformas digitais.
De 1.200 para pouco mais de 300 francos por semana
O motorista trabalha através da plataforma Uber desde 2019. Ao longo dos últimos anos, afirma ter registado uma redução significativa dos seus rendimentos.
Segundo o seu testemunho, anteriormente conseguia ganhar cerca de 1.200 francos por semana. Atualmente, porém, recebe pouco mais de 300 francos.
Além disso, num dos dias que relatou, trabalhou durante nove horas e recebeu apenas 70 francos suíços.
Esta situação chama a atenção para as dificuldades que alguns profissionais enfrentam no transporte de passageiros. Afinal, viver na Suíça exige rendimentos capazes de acompanhar um custo de vida elevado.
Concorrência e funcionamento das plataformas
Entre as principais preocupações dos motoristas estão o aumento da concorrência e a falta de transparência dos algoritmos que distribuem as viagens.
Por isso, quem depende desta atividade como principal fonte de rendimento pode enfrentar dificuldades financeiras quando diminui o número de viagens.
Além disso, os profissionais precisam de considerar os custos da atividade. Entre as despesas encontram-se o combustível, a manutenção do veículo, os seguros e outros encargos.
Consequentemente, o valor que um motorista recebe pelas viagens não corresponde necessariamente ao rendimento que lhe resta depois de pagar todas as despesas.
Sindicato defende maior proteção dos motoristas
O sindicato suíço Unia considera que os motoristas destas plataformas devem beneficiar dos direitos e das garantias dos trabalhadores assalariados.
Nesse sentido, o sindicato defende uma maior proteção social e regras mais claras sobre as responsabilidades das empresas.
O debate envolve igualmente as contribuições para os seguros sociais, os direitos laborais e as condições contratuais.
Entretanto, a situação varia entre os cantões suíços. Em Genebra, por exemplo, a maioria dos motoristas da Uber já trabalha através de empresas intermediárias.
Assim, o enquadramento destes profissionais não é necessariamente igual em todas as regiões do país.
Uber contesta as críticas
Por outro lado, a Uber discorda da interpretação do sindicato relativamente ao vínculo laboral dos motoristas.
A empresa afirma que os profissionais podem aceitar ou recusar viagens sem sofrer penalizações.
Além disso, sustenta que o seu modelo atual não corresponde necessariamente às situações que os tribunais analisaram em decisões anteriores.
Desta forma, continuam a existir posições diferentes sobre a classificação laboral dos motoristas e as responsabilidades das plataformas digitais.
Uma realidade que também interessa à comunidade portuguesa
Este caso merece igualmente a atenção da comunidade portuguesa residente na Suíça, sobretudo de quem trabalha no setor dos transportes ou pretende utilizar plataformas digitais para obter um rendimento complementar.
Antes de iniciar uma atividade deste género, importa conhecer as despesas, as obrigações perante os seguros sociais e as condições contratuais.
No entanto, é importante esclarecer que os 70 francos recebidos após nove horas de trabalho correspondem ao testemunho de um motorista. Este valor não representa necessariamente os rendimentos de todos os profissionais da Uber na Suíça.
Ainda assim, o caso contribui para uma discussão mais ampla sobre salários, direitos laborais e proteção social.
Num país onde a habitação, os seguros de saúde e as despesas diárias representam uma parte significativa do orçamento familiar, garantir condições de trabalho adequadas continua a ser uma preocupação importante.