Os eleitores suíços rejeitaram, no domingo, 27 de setembro de 2026, as duas iniciativas populares submetidas a votação federal. Tanto a proposta sobre a neutralidade como a iniciativa sobre a alimentação ficaram longe de alcançar a maioria necessária.

Os resultados confirmaram a posição defendida pelo Conselho Federal e pelo Parlamento, que tinham recomendado o voto contra as duas propostas.

Iniciativa sobre a neutralidade rejeitada

A iniciativa intitulada «Preservação da neutralidade suíça» recebeu 29,85% de votos favoráveis e 70,15% de votos contra.

A proposta pretendia definir na Constituição que a neutralidade suíça seria permanente e armada. Além disso, queria limitar a cooperação do país com alianças militares e impedir a aplicação de sanções contra Estados envolvidos em conflitos, salvo quando fossem impostas pelas Nações Unidas.

Contudo, os opositores consideravam que estas regras reduziriam a liberdade de atuação da Suíça na política externa. Com a rejeição da iniciativa, o país mantém o atual modelo de neutralidade.

Nos Grisões, a iniciativa também foi rejeitada. O cantão registou 33,41% de votos a favor e 66,59% contra.

Iniciativa sobre a alimentação também recusada

A iniciativa por uma alimentação segura obteve 27,48% de votos favoráveis e 72,52% de votos contra em todo o país.

A proposta pretendia aumentar a produção nacional de alimentos e alcançar, no prazo de dez anos, um grau de autossuficiência alimentar de pelo menos 70%. Defendia ainda uma maior produção de alimentos de origem vegetal, uma redução do uso de pesticidas e fertilizantes e uma proteção reforçada da água, dos solos e da biodiversidade.

Apesar dos objetivos ambientais e alimentares apresentados pelos promotores, a maioria dos eleitores considerou que as medidas exigiriam uma intervenção demasiado forte do Estado na agricultura e nos hábitos de consumo.

Resultados claros nas duas propostas

A votação terminou, assim, com uma rejeição clara das duas iniciativas populares. Nenhuma delas conseguiu reunir a maioria dos votos dos cidadãos e dos cantões exigida para alterar a Constituição Federal.

A votação interessou também aos portugueses que adquiriram a nacionalidade suíça e participaram nesta decisão política.